Vivo ao léu.
Minha casa é o
chapéu.
Mas nem mesmo
chapéu eu tenho!
Tudo que tenho é o
destino.
Ou será o destino
que me tem?
Vivo à toa.
Sou João-Ninguém
em pessoa.
Ando pelo mundo
sem rumo,
sem destino,
sem parar.
Sigo qualquer
estrada,
chego a qualquer
cidade,
durmo em qualquer
lugar.
Vago insone,
incansável
(invensível, inarredável)
pelos descaminhos
do mundo.
Moro na rua.
Minha cabeça
perturbada
funciona de acordo
com a lua
e me diz para não
parar.
Sou como um
preso-liberto.
A liberdade me
pertence!
Não tenho hora,
não tenho peias, não tenho lugar
para o que eu faço
ou imagino.
Posso querer
qualquer coisa
e posso ser o que
eu quiser,
na minha
imaginação
que dança
que voa
e se metamorfoseia
ao som de seu sonhar.
Mas dentro de mim
bem lá dentro,
apertando meu
coração,
tem uma prisão
que prende meus
sentimentos,
algema minha
emoção.
Dentro de mim tem
uma corrente
que amarra o
pensamento
e não deixa eu me
governar.
Sou dono do mundo.
Sou dono da rua,
mas não mando no
meu pensar.
E eu só peço,
me dê direito;
e eu só peço,
me dê um jeito
de governar (o)
meu cérebro.
Me dê direito,
me dê um jeito.
Eu preciso de
direito.
Direito por que
tenho apreço.
Direito de que
preciso,
que aprecio e
mereço.
Todo ser humano
merece respeito.
E não existe
doença,
degradação,
preconceito
ou vaidade,
nem qualquer outra
maldade
que possa tirar de
uma pessoa
a dignidade de ser
humano.
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