segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

JOÃO NINGUÉM

Vivo ao léu.

Minha casa é o chapéu.

Mas nem mesmo chapéu eu tenho!

Tudo que tenho é o destino.

Ou será o destino que me tem?

Vivo à toa.

Sou João-Ninguém em pessoa.

Ando pelo mundo sem rumo,

sem destino,

sem parar.

Sigo qualquer estrada,

chego a qualquer cidade,

durmo em qualquer lugar.

Vago insone,

incansável (invensível, inarredável)

pelos descaminhos do mundo.

Moro na rua.

Minha cabeça perturbada

funciona de acordo com a lua

e me diz para não parar.

Sou como um preso-liberto.

A liberdade me pertence!

Não tenho hora, não tenho peias, não tenho lugar

para o que eu faço ou imagino.

Posso querer qualquer coisa

e posso ser o que eu quiser,

na minha imaginação

que dança

que voa

e se metamorfoseia

ao som de seu sonhar.

Mas dentro de mim

bem lá dentro,

apertando meu coração,

tem uma prisão

que prende meus sentimentos,

algema minha emoção.

Dentro de mim tem uma corrente

que amarra o pensamento

e não deixa eu me governar.

Sou dono do mundo.

Sou dono da rua,

mas não mando no meu pensar.

E eu só peço,

me dê direito;

e eu só peço,

me dê um jeito

de governar (o) meu cérebro.

Me dê direito,

me dê um jeito.

Eu preciso de direito.

Direito por que tenho apreço.

Direito de que preciso,

que aprecio e mereço.

Todo ser humano merece respeito.

E não existe doença,

degradação,

preconceito

ou vaidade,

nem qualquer outra maldade

que possa tirar de uma pessoa

a dignidade de ser humano.

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